terça-feira, 21 de março de 2017

'ÁGUAS DA TRANSPOSIÇÃO NÃO CHEGARÃO A CAMPINA GRANDE', DIZ SARMENTO
João Paulo Fernandes21 março 0 comentários


A chegada das águas da transposição à Paraíba foi inaugurada em duas oportunidades: uma pelo presidente Michel Temer (PMDB), esta oficial, e uma extra-oficial, tendo como principal estrela os ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Apesar da pompa nas comemorações e das brigas pela paternidade da obra, o quadro atual é de dificuldades. Os problemas na operação do transporte da água fez a vazão cair a pouco mais de 200 ou 300 litros por segundo, tornando praticamente impossível a chegada das águas ao Açude Epitácio Pessoa (Boqueirão).

A constatação foi feita pelo ex-secretário de Recursos Hídricos do governo da Paraíba e professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Francisco Sarmento. Em entrevista à CBN João Pessoa, nesta terça-feira (21), ele disse que, aparentemente, a grande preocupação do governo federal foi fazer a água chegar, mas sem preocupação com a sustentabilidade da estrutura. A vazão prometida inicialmente era de 6 metros cúbicos por segundo, só que no momento inicial, não mais do que 2 metros cúbicos por segundo foram enviados e agora o quadro piorou.

Demanda

A estimativa de Francisco Sarmento é que fazendo uma média do início das operações até agora, não mais do que 1,4 metros cúbicos por segundo tenham sido liberados. Isso foi suficiente para que a água saísse do reservatório Barreiro, em Pernambuco, onde houve um rompimento da barragem recentemente, e chegasse ao manancial de Poções, em Monteiro, já na Paraíba. Daí a água segue para a barragem de Camalaú, antes de chegar a Boqueirão. O problema é que apenas uma pequena lâmina de água tem passado por Monteiro, insuficiente para a demanda.

Sarmento alertou que dado o assoreamento do rio Paraíba, a absorvição do recurso hídrico pelo solo, pouco ou nada chegará a Boqueirão, frustrando a população de Campina Grande, que vive um racionamento de três dias com água e quatro sem. O quadro foi antecipado pelo professor ao blog do Rubão, do jornalista Rubens Nóbrega, abrigado no Jornal da Paraíba. Durante a entrevista na CBN, ele alertou que os problemas tendem a se agravar, caso o governo federal não implemente o funcionamento das outras bombas.

Durante a inspeção realizada por Sarmento, que trabalhou como consultor para a obra e acompanhou as obras complementares quanto atuou como secretário da Paraíba, ele percebeu um quadro crítico. Na Estação de Bombeamento Vertical 5 (EBV-5), das quatro bombas previstas no projeto original, apenas duas foram instaladas. A situação também é complicada no EBV-6, onde também eram previstas quatro bombas e foram instaladas apenas duas. Só que, destas duas, só uma está funcionando. A outra foi enviada para reparos nos Estados Unidos.

Rompimento

Para piorar, houve o rompimento na barragem Barreiro, em Sertânia, causando muitos transtornos para a população local. O problema foi apontado como pontual, porém, problemas semelhantes foram registrados nas barragens de Campos e Barro Branco, também em Pernambuco. No caso de Barro Branco, a gravidade das infiltrações obrigou a execução emergencial de um “engordamento” da parede da barragem. Já em Campos também ocorreram problemas dessa natureza e foram usadas proteções feitas com camadas de rochas.

Sarmento, por isso, relatou que os dois reservatórios não podem operar com a carga máxima de água. O resultado disso é que o problema de abastecimento em Campina Grande e outras 18 cidades do entorno, pelo jeito, pode ser prolongado por causa da fragilidade da obra. O quadro é crítico.

Aesa garante que a água vai chegar

O presidente da Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), João Fernandes, evitou polemizar com Francisco Sarmento, porém, garantiu que a água vai chegar a Campina Grande, sim. Ele alegou que vai enviar uma equipe técnica amanhã a Monteiro para aferir a quantidade de água que está chegando ao Estado. Segundo o relato do secretário, no primeiro dia o volume disponibilizado foi de 4 metros cúbicos por segundo, que depois passou a ser 2,2 metros cúbicos por segundo, em decorrência de problemas em uma das bombas.

A última aferição realizada, segundo Fernandes, revelou uma vazão de 1,8 metros cúbicos por segundo. A promessa feita pelo Ministério da Integração Nacional foi de que este volume subiria para 4,5 metros cúbicos por segundo, a partir desta terça-feira (21), por causa do enchimento do reservatório Barro Novo, em Pernambuco. “A água já está chegando a Camalaú, com o volume atual, então, não posso duvidar que com o aumento ela não chegue a Boqueirão”, relatou o presidente da Aesa.


Fonte: Blog do Suetoni
Sobre o Autor "Apenas um rapaz, latino-americano, sem dinheiro no banco sem parentes importantes, vindo do interior..." João Paulo Fernandes Facebook

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